Complexidade e produtividade em economia

Artigo de Paulo Gala

Pensando da ótica de uma empresa: seria possível aumentar os salários dos funcionários, pagar mais impostos ao governo, reduzir os preços para os consumidores e ainda assim ter aumentos nos lucros? Sim! Se houver ganhos de produtividade relevantes dentro dessa empresa. A produtividade gera o excedente que pode ser distribuído a todos. O mesmo raciocínio vale para um país: é possível arrecadar mais, aumentar salários, aumentar lucros e aumentar a competitvidade de uma economia simultaneamente? Sim! Se a produtividade geral da economia (sistema produtivo) aumentar. Por isso o caminho para o desenvolvimento econômico é o aumento de produtividade. Como fazer isso é a questão mais relevante em economia na minha opinião. A construção de complexidade é a melhor resposta que encontrei até hoje. A produtividade agregada de uma economia aumenta conforme sua complexidade cresce.

A partir dessa perspectiva a dinâmica de produtividade de uma economia depende de sua configuração setorial. Não se trata então de educar mais ou até mesmo capacitar mais os trabalhadores; se trata de estimular e desenvolver os setores corretos. O padrão de especialização produtiva de uma economia é chave para entender o processo de aumento de produtividade. Ser produtivo significa dominar tecnologias avançadas de produção e criar capacidades e competências locais nos setores corretos. Produzir castanhas de caju ou chips de computador, carros ou sapatos, bananas ou computadores faz diferença. Ou seja, o processo de aumento de produtividade de uma economia não é setor-neutro (depende da composição agricultura, serviços e indústria do PIB) e depende do tipo de produto que um país é capaz de produzir. A produtividade da economia não depende dos indivíduos, é algo sistêmico. Trabalhadores inseridos em setores tecnologicamente sofisticados serão produtivos devido às características intrínsecas do setor e não a dos trabalhadores.

As comparações internacionais mostram que o grande diferencial de produtividade entre países está justamente no setor de bens transacionáveis, especialmente nos empregos industriais, longe dos chamados serviços não sofisticados. É bastante intuitivo entender que a produtividade de um garçom, de um motorista, de um piloto de avião ou de um vendedor de loja é praticamente igual na Europa, EUA, Ásia e Brasil. Até mesmo na construção civil, mesmo com auxílio de máquinas mais sofisticadas, a produtividade entre trabalhadores dos diversos países não é muito distinta. A altíssima produtividade dos países ricos ocorre então em outros setores que não esses, com destaque para os serviços sofisticados e indústria. A produtividade é em grande medida setor-específica e não trabalhador-específica. São ricos os países que cultivam seus setores de bens transacionáveis e de serviços sofisticados (EUA, Japão, Alemanha, nórdicos, sudeste asiático, etc) (Balassa, 1964). 

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