África do Sul e a Pandemia

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Beatriz Barbosa especial para o Banco Ecosocial

A África do Sul respira a pandemia do Coronavirus com: 124.590 casos confirmados (até 26 de junho de 2020) e 2.340 mortos. E número de recuperados está em 64.111 casos, até o presente momento. 

No entanto, teve 6.200 novos casos em 24 horas. 

Mas vale ressaltar que os testes estão sendo acessíveis e amplamente realizados em todo o País, e os novos números de crescente contaminação, são seguramente decorrentes da mudança de fase do lockdown mais restritivo 5, para o nível 3.

Num comparativo populacional ao Brasil, temos aqui a mesma população de um pais como a Argentina, que também está lidando positivamente com as medidas preventivas contra o Corona vírus Covid19 e tendo um resultado brilhante, diferentemente do governo brasileiro que, não sabe para qual lado a nau está navegando e pensa apenas em conspirações politicas imaginarias contra o seu chefe mor, o atual presidente brasileiro, que já e rejeitado por 54% da população.

Mas a África do Sul, tem esse comportamento surpreendente com o vírus chinês, talvez pela quantidade de doenças e pandemias como o HIV AIDS, que ainda, infelizmente, atinge e mata uma grande parte da população sul-africana.

 Diante da gravidade do vírus, foi tomado um posicionamento enérgico e imediato, protegendo toda população com a melhor medida contra esse vírus: a ausência de contato entre a população. 

Sem sombra de dúvidas, o isolamento e a melhor maneira de conter o avanço da pandemia e aqui em solo sul-africano foi comprovado na pratica, de quase 90 dias de lockdown.

E outras pandemias abateram o continente africano de maneira desastrosa, e diante do fato, o governo do Presidente Sul-africano Cyril Ramalhosa, tomou como iniciativa o rigoroso lockdown já no final de marco, restringindo a circulação de pessoas e limitando apenas acesso a farmácias e supermercados. O exército e a polícia controlavam rigorosamente o acesso e circulação de pessoas, chegando a aplicar prisão e até multas aos infratores do locado.  Até a rede bancaria teve que imediatamente apresentar alternativas aos clientes.

Se de um lado a economia local teve uma queda brusca de circulação de moeda e rendimentos, por outro lado temos a preservação da vida da população e que sem sombra de dúvidas e de questionamentos, e a melhor alternativa comprovada.

Além do lockdown proibir circulação de pessoas, nos primeiros estágios foi proibida a comercialização de bebidas alcoólicas e cigarros. Já no início da fase 3, a venda de bebidas alcoólicas foi liberada e mantida a proibição de comercialização de cigarros, no entanto, esse afrouxamento da venda de bebidas trouxe todos os malefícios do outro lado da bebida alcoólica: maior número de acidentes envolvendo pessoas alcoolizadas e aumento do número de ocupação de leitos nos hospitais, decorrentes de alcoolização e até a violência domestica que teve maior registro de violência contra mulheres e até crianças, e por este motivo estuda se a suspensão das bebidas alcoólicas. No entanto não é um assunto fácil para o governo Sul-africano tratar diante do enorme número de vinícolas e produtores de diversos destilados e congêneres, mas a liberação da bebida alcoólica no pais não foi um ponto positivo.

E mesmo com toda a problemática interna em relação a comercialização das bebidas alcoólicas, a África do Sul demonstra que está fazendo a lição de casa corretamente, inclusive liberando correta ajuda financeira aos mais carentes, em proporção menor do que deveria ser em valores, mas agregando a uma grande maioria que depende de pequenos ganhos e teve uma perda considerável neste caótico momento para a humanidade, dando exemplo a grandes países de como, uma nação africana pode sim gerenciar um momento particular de maneira admirável, sim, posso afirmar com certeza .

Beatriz Barbosa é brasileira, jornalista e radialista no Brasil,  residente há quase 8 anos na Cidade do Cabo,  África do Sul (DRT/MT  1341)

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