Fortuna dos super-ricos brasileiros aumentou R$ 176 bilhões na pandemia

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Especial para a Jovem Pan

Dados da ONG Oxfam mostram que o patrimônio dos bilionários na América Latina e Caribe cresceu US$ 48,2 bilhões entre março e julho deste ano; entidade defende taxação de grandes fortunas

A fortuna dos 42 bilionários brasileiros aumentou US$ 34 bilhões (aproximadamente R$ 176 bilhões) em meio à pandemia do novo coronavírus, passando US$ 123,1 bilhões para US$ 157,1 bilhão, segundo relatório da ONG Oxfam, divulgado nesta segunda-feira, 27. O Brasil foi o que representou a maior valorização dos bilionários nos países da América Latina e no Caribe. Somadas as duas regiões, o patrimônio dos chamados “super-ricos” cresceu US$ 48,2 bilhões entre março e julho deste ano. Ao todo, a região concentra 73 pessoas com a conta bancária com 10 dígitos ou mais. Oito pessoas entraram ao seleto grupo dos bilionários desde o início da crise, ou um a cada duas semanas. Os dados da Oxfam são baseados na lista das pessoas mais ricas do mundo divulgada pela Forbes.

Os US$ 48,2 bilhões representam mais de um terço de todos os investimentos feitos pelos países da América Latina e do Caribe para combater os impactos econômicos da crise. O relatório ainda aponta que os bilionários das duas regiões aumentaram a sua fortuna em aproximadamente US$ 413 milhões por dia. “A Covid-19 não é igual para todos. Enquanto a maioria da população se arrisca a ser contaminada para não perder emprego ou para comprar o alimento da sua família no dia seguinte, os bilionários não têm com o que se preocupar. Eles estão em outro mundo, o dos privilégios e das fortunas que seguem crescendo em meio à, talvez, maior crise econômica, social e de saúde do planeta no último século”, diz Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Segundo a Oxfam, no Brasil, os efeitos da pandemia têm impacto maior na população em situação de pobreza. Antes do início da crise, no início de março, o país possuía 12 milhões de desempregados e 40 milhões de trabalhadores informais, aponta a ONG. “Os dados são assustadores. Ver um pequeno grupo de milionários lucrarem como nunca numa das regiões mais desiguais do mundo é um tapa na cara da sociedade que, tanto no Brasil como nos demais países latino-americanos e caribenhos, está lutando com todas suas forças para manter a cabeça para fora d’água”, afirma Maia.

A ONG afirma que o Brasil precisa mudar a forma de taxação das grandes fortunas, e que os projetos de reforma tributária discutidas no Congresso não incluem essa mudança. “Entre a pífia proposta apresentada pelo governo federal e os discursos de lideranças do Congresso, que defendem uma reforma tributária voltada para a simplificação e a melhoria do ambiente para investimento, a maioria da população é escanteada mais uma vez. Ninguém parece ter a intenção de tocar nos privilégios dos mais ricos, que nunca pagaram uma parte justa de impostos. É como se a maioria da população não tivesse o direito à uma vida digna”,  afirma a diretora-executiva.

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