Golpe do Covid na estrutura produtiva do Brasil

Paulo Gala

escrito com João Romero e Elton Freitas

Os fluxos comerciais brasileiros no primeiro semestre de 2020 em relação a 2019 apontam para uma grande e preocupante queda das exportações de bens de alta complexidade. Os fluxos comerciais brasileiros em 2020 revelam q: 1) o efeito da crise foi mais acentuado nas exportações e importações de bens de alta complexidade, 2) a crise teve impacto maior nas exportações dos estados c/ estrutura produtiva mais complexa e o inverso p/ importações. A participação das exportações de alta complexidade já vem caindo há mais de uma década no Brasil Em 2008 eram 28.9%. Foram pra 21.3% em 2019, e chegaram a 17.1% em 2020. Pra se ter uma ideia, a participação das exportações de alta complexidade da Alemanha em 2018 foi de 76.2%. 4/13 Considerando o primeiro semestre de 2020, verificou-se uma queda de 29.2% nas exportações brasileiras de alta complexidade em relação ao primeiro semestre de 2019. Para as de baixa complexidade a queda foi de só 0.6%. As exportações totais caíram 7.1% e as importações 5.2%.

Sobre os saldos comerciais em 2020: 1) com exceção de janeiro, o saldo foi positivo e crescente, mas menor q em 2019, 2) o saldo nos bens de baixa complexidade foi positivo, e nos de alta complexidade negativo, 3) o saldo foi positivo nos estados de baixa complexidade. Para as exportações por estado em 2020: 1) os ganhos estiveram concentrados nas regiões Norte e Centro-Oeste, além de Pernambuco, Piauí e Alagoas 2)17 estados tiveram queda das exportações de bens de alta complexidade superior a 20% em relação ao primeiro semestre de 2019. Sobre a composição das exportações em 2020 por estado: 1) 7 estados tiveram aumento modesto da participação das exportações de alta complexidade, 2)em 20 estados houve queda da participação das exportações desses bens, 3) essa queda já vem ocorrendo há vários anos. Segundo as evidências de Hausmann et al(2011), Hartmann et al(2017) e Romero e Gramkow(2020), a redução da produção competitiva de bens de alta complexidade, caso se torne permanente, prejudicará nosso cresc. do PIBpc e elevará a desigualdade e a intens. de emissões de CO2. Detalhe importante: a queda acentuada das exportações acontece apesar do câmbio bastante desvalorizado. Não estão disponíveis dados de comércio de outros países q permitam comparar os resultados, mas a forte queda das exportações de alta complexidade serve de alerta. Para a retomada do crescimento da produção, do emprego e da renda, é fundamental expandir a produção de bens de alta complexidade. E para isso é preciso q sejam adotadas políticas industriais e de inovação mais robustas, como tem sido feito na Europa, por exemplo.

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