O AVANÇO DO AGRONEGÓCIO EM MATO GROSSO

Dissertação de mestrado da Universidade Federal de Mato Grosso, apresentada e aprovada por Maurício Munhoz, denominada “O Avanço do agronegócio e o índice de crescimento sustentável dos municípios” aponta diversas contradições do agronegócio em Mato Grosso, e será publicado em livro pela editora Carlini e Caniato, em outubro deste ano.

A principal constatação é que enquanto as lavouras tipicas do agronegócio avançam, as da agricultura familiar perdem espaço. Segundo o estudo, a lei Kandir é a principal motivação para esse fenômeno, já que o fortalecimento financeiro dos grandes produtores faz com que esses avancem sobre as áreas do pequeno agricultor, e apesar de ser dentro da lei, pois há operação legal de compra ou arrendamento, é uma violência simbólica que está abalando a agricultura familiar.

Como base do estudo, o autor se utilizou de um indicador criado por ele, o ICSM, índice de crescimento sustentável dos municípios, que aponta, por exemplo, que o arroz é produzido em todos municípios de Mato Grosso, através da agricultura familiar e também do modo de produção do agronegócio, ou seja, em grande escala. Então, a tendência do arroz também migrar para o agronegócio explica o recente aumento excessivo do preço do arroz no Brasil, já que é a lógica da produção primária exportadora. Vende para quem paga mais.

O estudo também inova, através do ICSM, ao incluir as queimadas e o desmatamento como indicador de qualidade de vida. É como se fosse dado valor econômico as queimadas que assolam Mato Grosso nesse período, e se levantasse através de números a reflexão: “vale a pena viver aqui?”.

O livro é mais um de Maurício Munhoz, que também escreveu “A lei kandir e o enfraquecimento dos municípios” que é adotado em diversas universidades e faz parte do acervo da biblioteca do congresso dos Estados Unidos. Munhoz foi o vencedor do último Premio Celso Furtado de economia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *